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Esse veneno que a gente toma na infância.. ou Cancer Mundi



No afeto, a criança
maldita lembrança
na dor do desamor
na cor do desespero
da solidão
que não cansa de dizer não
a essa criança
essa direção
essa navegância
pela contra-mão...
Pai, dá-me carinho e afeto.
Não tê-lo por perto..
me mata a fé em tudo que me é certo.
Desperto
disperso ardor
esse afeto, esse desamor...
o passado pueril
o passado
vil
Goles sórdidos num andar sutil...
na pubia idade ressentiu.
Nas mãos sujas dessa cidade..
Descanse, a terra treme e clama
por mudança
Expurgará todo esse veneno
lavado em muito choro e lamento..
Mas tamanha ferida
precisa
ser vencida.
Na cicatriz o marco
na veia o sangue atroz..
A minha veia mundo
pede paz!

Comentários

  1. Que ilustração forte. Muito foda. De quem é?

    Acho que até consigo identificar sua inspiração para parte final do poema. Gostei muito. E sim, para limpar temos que remexer lá dentro. Vai subir um cheiro, vai sujar mais...mas só assim que a limpeza é feita...e o veneno expurgado...

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  2. Sabe que não sei, não tinha a referência onde catei.. mas tb achei foda, bem impactante, e sóbria ao mesmo tempo.. nesse terno no homem de meia idade. E tão árido quanto parece criativo, no sonho do homem, tão longe dali.

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