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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Extrema necessidade


Preciso respirar
Preciso
Viver na arte
O calor dos meus dias
Nela viver, na arte
De viver
Cada dia
Respiro
Suavizo as sombras
Durmo e acordo contigo
Preciso
Como flecha certeira em alvo invisível
Preciso
Do ar que me invada, me abra
Me fazendo certeira
Me fazendo
Inteira
A Arte
Inteira
Preciso muito
Respirar
Preciso.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Esse veneno que a gente toma na infância.. ou Cancer Mundi



No afeto, a criança
maldita lembrança
na dor do desamor
na cor do desespero
da solidão
que não cansa de dizer não
a essa criança
essa direção
essa navegância
pela contra-mão...
Pai, dá-me carinho e afeto.
Não tê-lo por perto..
me mata a fé em tudo que me é certo.
Desperto
disperso ardor
esse afeto, esse desamor...
o passado pueril
o passado
vil
Goles sórdidos num andar sutil...
na pubia idade ressentiu.
Nas mãos sujas dessa cidade..
Descanse, a terra treme e clama
por mudança
Expurgará todo esse veneno
lavado em muito choro e lamento..
Mas tamanha ferida
precisa
ser vencida.
Na cicatriz o marco
na veia o sangue atroz..
A minha veia mundo
pede paz!

Cigano


Henri Rousseau, Cigano adormecido, 1897

*

Hoje dormi com torpedos
me incendiando
em explosões atômicas
Hoje dormi com torpedos
de paixões e amores
correspondidos
de poetas e artistas e bandidos
Hoje sonhei com a noite
Era estrelada e enluarada
Hoje cantaram em minh'alma
Hoje sonhei acordada.