*^*

terça-feira, 19 de julho de 2011

Alma em flor



Súbito corte..
morte..
na secura do tempo que se foi..
e carrega o vazio não mais preenchido
súbito
o corte
a morte..
do velho e imprestável modo de ser
e viver
é a melhor face
da morte
que me corta
em partes
me ensinando o valor da vida:
que crescer é sempre e contínuo
mesmo no instante de envelhecer..
Minha vida sopra feliz a cantiga
de ser tudo que um dia sonhou ser..
Nesse fluxo danço a dança do universo
E minha alma enfim
renasce.
E minha alma enfim
floresce.
E por toda parte
a vida brota e cresce.
Obrigada...

terça-feira, 5 de julho de 2011

No tempo...



Posso sentir o cheiro de minha terra...
No verde imenso das montanhas,
desses campos grandes,
nesse mar sem fim...

Nasci na roça.. no simples da vida.
Comi fruta do pé
fiz casa na árvore
tive grama e "pique tá"
bolinha de gude com a galera
tomei porrada dos meninos
Aprendi a ser forte
quando chorar não ajudava
Tive medo do escuro
tomei banho de rio..
E de pouco em pouco
Cresci.

domingo, 26 de junho de 2011

A criativa idade



Quando foi, quando é?
Quando vai ser?!
Ahhhh!
Aqui estou...
Pronta pra te compor..
Te fazer obra, te fazer arte..
Já ouvistes falar em Alma?
Dela toda essa Arte faz parte..
Sem ela, eis o desastre..
Minh'alma tem hoje cabelos curtos..
quer ser leve, deixar respirar a nuca..
brotar idéias, sons, cores
nomes, o novo!
De mim...
Aquele eu que se escondia na nuca.. cheio de medo.
Chega de medo!
Aqui estou, não me escondo mais!

(02/01/10... up to now.. and now.. and ever.)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

É tanto...



É tanto gostar...
Me vejo em você
Você comigo...
Nós dois, nosso umbigo
Gozo uno nos teus braços...
Te amo

*'*

É tanta alegria...
Às vezes dá um bug
Soam as campainhas
O alarme anuncia
Na agonia
A festa, a fantasia.
Acordei.
Dormi.
Acordei.
Dormi.
Acordei...

*'*

Você, eu...
Que faço?
Só dá você
no meu pensamento.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Minha Vida



No divino que há em mim
no sagrado e no profano
sou absolutamente
humano
Se Deus me escolheu
pra ti
Se você me escolheu
Por Deus!
Seja sempre o sagrado
em mim
na carne a vida se cria
a luz que te ilumina
é minha alegria
Criança
me faz doces as lembranças
E sonhar é festa
a dois
A três, então
vem depois
na realidade do amor maior
que é você em minha vida
do espírito emana a luz que me guia
Você, onde estiver agora
seja luz, seja sempre vida
E minha festa
será sempre
e eu, tua companhia..
Seja benvinda
minha vida.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Ah! esse chamego...


Meu sossego...
chamego
aconchego
você em mim
repousa
no rosto meu rosto
às voltas
com isso de ser
mar de rosas...
sem dor, sem espinhos
Na maciez
da tua
pele
na minha
maciez
da pele
na sua
embriaguez
nua
tonta
fico
quando me deito
contigo
tudo vira infinito..

terça-feira, 12 de abril de 2011

Amor...



Enquanto dormia
e pelo deserto caminhava
sorria
das suas piadas...
No brilho suave dos seus olhos
senti uma vida pulsar
sofrida...
buscando no riso
das palhaças piadas
o ópio, o sussurro
ao pé do ouvido...
Seu brilho escondido
pelos olhos eu via
pelo sorriso atrevido
pelo silêncio de seus gemidos
Você me trouxe de volta a fantasia...
Minh'alma de repente... te reconhecia.
(11/07/10)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

'Na torre' ou 'P Ermita' ou 'Contrasenso'



Bonita vista aqui de cima
Bonita retina...
No espelho das mágoas congelei
sem saber do amor
seu modo mais sutil
Minha alegria é vã
vai e vem, companhia...
Na torre não há muros
ou travas ou o escuro...
Só mágoas
E medo.
E medo paralisa.
No receio vivo de querer mais, sem ter
De ti ficam as sobras
Do banquete que comi.
Corro, fujo, me surpreendo..
Quanto mais ando mais me arrependo
De pesar tanto essa carga nas costas...
Doação, essa é a proposta.
Doação, via dupla, mesmo se não gosta..
Vou fechar a porta pra me recolher
Pra variar um pouco
Pouco a pouco me deixo a morrer
No fosso os fantasmas gritam satisfeitos
No terraço os anjos gritam meus defeitos
Sozinha me fecho
É mais certo,
Não estar perto, dá nisso
Meus olhos te procuram
E você, no sumiço
Com data de entrada e data de saída
Sem brigas.
Não quero mais fugir assim
Mas o que fazer com isso dentro de mim??

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Carpe Diem



Não, não é mentira...
Você se foi.
Piadista, palhaço, humorista
tinha que ser mais uma piada
mais uma risada...
Parece mentira, você me pegou de novo..
Que lindo dia pra se viver e morrer
Meu pai era vivaz, intenso, audaz
E sempre queria mais
até o último instante de vida..
da vida..
De herança
trago a lembrança viva dessa alma acesa
que sem dúvida virou estrela
Minha poesia hoje não veste preto, ele não gostava..
Veste cores
Na história apaixonada desse ser ensolarado
E o dia está lindo lá fora..
E meu pai me pede pra aproveitá-lo ao máximo..
E jamais, jamais morrer em vida.

Um dia a menos...


No silêncio da cama vazia
você sorria
de um sonho onde nós dois
tínhamos vida...
fantasia...
No seu colo fazia graça
era dia
no seu sonho fazia dia
fantasia..
Faz tempo você se foi
Faz hoje mais um dia
A dor é ínfima, curta, mas não menos doída..
Sua ausência me traz a certeza
Da dúvida do tempo
que urgia.
Sua ausência não cala minha existência
apenas me faz mais consciente
nada mais
dormente, tentando não olhar pra trás
Pai, hoje é mais um dia
sem ter tua companhia, tua euforia, tua alegria..
mais um dia a menos
pra mim, pra todos
Menos um dia. E ainda dói.

terça-feira, 22 de março de 2011

Mambembe sigo...



Corre o louco a morrer
e nascer
em cada fração de vida..
Nas cores
fui testemunha
do nascer do Sol
e minha alma
viva
que vagueia
mambembe..
Nas cores
amores
bem viver..
Em cada canto
um encanto
em cada canto
um renascer
Meu coração é selvagem por natureza
vive tudo sem se arrepender
e eu, andarilha do tempo
sigo.

segunda-feira, 14 de março de 2011

No meu cansaço...

Chega de tanta marca d'água
chega de tanto barulho por nada
tô cansada
chega de tanta piada
não tem graça
quando dói assim
não há nada que se faça
a não ser esperar
e ver se tudo passa.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Extrema necessidade


Preciso respirar
Preciso
Viver na arte
O calor dos meus dias
Nela viver, na arte
De viver
Cada dia
Respiro
Suavizo as sombras
Durmo e acordo contigo
Preciso
Como flecha certeira em alvo invisível
Preciso
Do ar que me invada, me abra
Me fazendo certeira
Me fazendo
Inteira
A Arte
Inteira
Preciso muito
Respirar
Preciso.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Esse veneno que a gente toma na infância.. ou Cancer Mundi



No afeto, a criança
maldita lembrança
na dor do desamor
na cor do desespero
da solidão
que não cansa de dizer não
a essa criança
essa direção
essa navegância
pela contra-mão...
Pai, dá-me carinho e afeto.
Não tê-lo por perto..
me mata a fé em tudo que me é certo.
Desperto
disperso ardor
esse afeto, esse desamor...
o passado pueril
o passado
vil
Goles sórdidos num andar sutil...
na pubia idade ressentiu.
Nas mãos sujas dessa cidade..
Descanse, a terra treme e clama
por mudança
Expurgará todo esse veneno
lavado em muito choro e lamento..
Mas tamanha ferida
precisa
ser vencida.
Na cicatriz o marco
na veia o sangue atroz..
A minha veia mundo
pede paz!

Cigano


Henri Rousseau, Cigano adormecido, 1897

*

Hoje dormi com torpedos
me incendiando
em explosões atômicas
Hoje dormi com torpedos
de paixões e amores
correspondidos
de poetas e artistas e bandidos
Hoje sonhei com a noite
Era estrelada e enluarada
Hoje cantaram em minh'alma
Hoje sonhei acordada.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Alma Encantada


Num labirinto de espera me perdi agora
Você está ali do outro lado do muro
te sinto, te ouço, te procuro...
Quero nos teus braços me encontrar de novo
você é simplesmente mais do que ansiava
Você é simplesmente alma encantada.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

nós dois..


O amor
pediu pra vir logo
nao gosta
quando a vida pausa
O amor
é imenso e gosta
de se perder
no tempo
de mergulhar
no espaço
que existe
entre dois
nós dois
um amasso
o resto é o resto
depois eu faço.

Poison


Não quero teu beijo
teu afago
teu cuidado
teu telhado é de vidro
tua pose é de açúcar
tua palavra é vento cortado
tua verdade uma renda, um retalho
uma história criada
pra boi dormir.
Desculpe, pode passar
siga em frente
Não acompanho serpentes.