*^*

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Transformação




Hoje segurei com as mãos e pés a carne da minha agonia..
Agarrei com os dentes e a facadas
Toda luxúria em mim calada
Seus olhos de fogo me consomem em inspiros
Sua boca molhada me suga o véu da cara
Sua força incontida me tira a casta
Fantasia
De um inferno de Dante dentro de meu paiol de alegrias

Tua boca seca agora espera o sinal do navio
Antes que ele chegue aporte seu coração , antes do frio..
Pois o gelo derrete no afeto vivo
Revivo
Mas o gelo vira rocha se longe e ermo, esfrio
Paraliso

eu hein!


Olha..
meu jeito é sem jeito
mas tenho recheio..
mnha risada sem graça
é de tanto gargalhar por dentro..
sabe como é, né..
convenções sociais..
vai que você chora
de tanto rir dessa história..
vai que você goza
de tanto segurar na memória..
vai que todo mundo me devora?!

domingo, 25 de abril de 2010

Água Viva



Translúcido...
o mar, a vida, a poesia
Cristalina a cor, nos olhos, na retina
Minha pele tocou, aos poucos, a maresia
O azul brilhante, a água macia
a areia fina, no raso eu via
Meus pés dançando, na onda que batia
Nesse vai e vem doce
Nas memórias curtidas
Quanto tempo não tive tua companhia
Agradeço de novo, e de novo, e de novo
Essa loucura infinita
que é estar na água viva
Mergulho profundo, como se minha alma soubesse
que a cada instante vale um pedaço de vida
Sinto paz lá no azul
no azul desse cristal mar
Cada cor, cada brilho, nos corais a brincar
São pedaços de encantos que me levam a vagar
Por caminhos de sonhos, que sonhei um dia
Minha vida vazia, se faz de novo cantar
Pelo ar que respiro, a cada erguer
no mar
São pedaços de vida, a mais
Em meu caminhar.

Vésper do Mar



As estrelas despontaram no céu
O Sol brilhou com força
Você estava radiante
E eu era súbita alegria
Minha alma te sentiu como nunca antes
Essa noite pressinto
Chegamos ao cume desse sentimento...

Você tem uma beleza além das formas
Um mistério profundo sem palavras
Um sorriso singelo que me devora
Uma alma sincera, nessa longa espera

Sorri
Acordei na certeza de um lindo dia
O Sol radiante, nos seus olhos
Destemia
Desfazia
Qualquer sinal de dura poesia

Sua doçura me cala como o raiar do dia
Nesse silêncio profundo, sincero e belo
Sinto suas mãos entrelaçando as minhas
Nossos medos e anseios não podem ser maiores
Que toda nossa alegria

Respiro fundo...
Bom dia!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Convite da Loucura




A Loucura resolveu convidar os amigos para tomar um café em sua casa.

Todos os convidados foram. Após o café, a Loucura propôs:

- Vamos brincar de esconde-esconde?

- Esconde-esconde? O que é isso? - perguntou a Curiosidade.

- Esconde-esconde é uma brincadeira onde eu conto até cem e vocês se escondem. Ao terminar de contar, eu vou procurar, e o primeiro a ser encontrado será o próximo a contar.

Todos aceitaram, menos o Medo e a Preguiça.

-1,2,3,... - a Loucura começou a contar.

A Pressa escondeu-se primeiro, num lugar qualquer. A Timidez, tímida como sempre, escondeu-se na copa de uma árvore. A Alegria correu para o meio do jardim. Já a Tristeza começou a chorar, pois não encontrava um local apropriado para se esconder. A Inveja acompanhou o Triunfo e se escondeu perto dele debaixo de uma pedra. A Loucura continuava a contar e os seus amigos iam se escondendo. O Desespero ficou desesperado ao ver que a Loucura já estava no noventa e nove.

- CEM! - gritou a Loucura. - Vou começar a procurar...

A primeira a aparecer foi a Curiosidade, já que não agüentava mais querendo saber quem seria o próximo a contar.
Ao olhar para o lado, a Loucura viu a Dúvida em cima de uma cerca sem saber em qual dos lados ficar para melhor se esconder. E assim foram aparecendo a Alegria, a tristeza, a Timidez...
Quando estavam todos reunidos, a Curiosidade perguntou: - Onde está o Amor?

Ninguém o tinha visto. A Loucura começou a procurá-lo.

Procurou em cima da montanha, nos rios, debaixo das pedras e nada do Amor aparecer. Procurando por todos os lados, a Loucura viu uma roseira, pegou um pauzinho e começou a procurar entre os galhos, quando de repente ouviu um grito. Era o Amor, gritando por ter furado o olho com um espinho. A Loucura não sabia o que fazer.
Pediu desculpas, implorou pelo perdão do Amor e até prometeu segui-lo para sempre. O Amor aceitou as desculpas.

Hoje, o Amor é cego e a Loucura o acompanha sempre.

(autor desconhecido)

domingo, 11 de abril de 2010

O Labirinto Parado

Perdi-me num labirinto de saudade
Senti
À montanha
Dos sítios que não mudam
Subi

E ao abismo
Do vertiginoso futuro
Desci

Procurei para o sol
Procurei para o mar

Mas sem ti
No céu da paisagem daqui
Afinal não saí
Mas sem ti
No céu da paisagem
Perdi
A noção da viagem

Na pedra já mais que branda da memória,
Escrevi
Com o tempo
que o musgo vai levando a crescer

Com o brilho que a esperança nos faz
no olhar
Escrevi
Que a saudade é prima afastada do vagar

Mas sem ti
No céu da paisagem
Perdi
A noção da viagem
Mas sem ti
No céu da paisagem
Daqui
Afinal não saí

***

terça-feira, 6 de abril de 2010

não, não era o fim..

O Sol!
Surgirá no horizonte
E espantará nossos medos..
E as ondas iam e vinham
Nesse mar de emoções que se fez no caminho..
E tudo então parou
nenhum sinal do fim parecia tão próximo..
Um anjo apareceu
Não, não era o fim..
Então por que o céu não pára de chorar?

dia branco

Entre o branco de seus olhos
e minha veste em branco,
prefiro a luz da manhã...
O Sol hoje não nasceu...
Se escondeu detrás de tanta água,
tanto vento..
O Amor em minha porta bateu,
senti no peito o valor de cada vida..
Senti no frio a dor dos desabrigados..
Senti na pele o medo em ondas de lixo e lama...
Hoje visto branco..
E entre o branco dos olhos e minhas vestes
Prefiro a luz, mesmo escondida, da manhã...
Assim a Esperança de todos há de sempre sorrir..