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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Valentine's day




São Valentim virou santo depois de ser condenado a morte, por ter desobedecido às ordens de um imperador, que queria manter os homens livres por acreditar que seriam mais eficazes nas batalhas se fossem solteiros, ou não estivessem envolvidos em romances.. Valentim realizava casamentos às escondidas, e quando morreu, os românticos lhe levaram flores e bilhetes mostrando que continuariam a acreditar no amor..
Ontem, dia 14 de fevereiro, em boa parte do mundo foi comemorado o dia dos namorados, em sua homenagem, pois foi o dia de sua morte.
Aqui no Brasil, parece que nosso dia dos namorados surgiu idealizado por comerciantes, que aproveitaram a véspera do dia de santo Antônio para fixar o dia 12 como o dia da troca de presentes e assim garantir que esse mês, sempre tão fraco, ganhasse nova vida comercial.. o que, sabemos hoje, deu certo..
Não gosto do dia dos namorados, não acredito em casamento tradicional, santo antônio que me desculpe, nunca fui sua devota...
Mas acredito no amor.. não no amor piegas, ou dos contos de fadas.. mas no amor inteiro, o amor da entrega.. da aceitação das diferenças e da não idealização do outro.. será possível?
sei que humanos idealizam...
mas ainda tento, e tenho até conseguido...
não acho que uma relação tenha que durar pra sempre... mas também não acho que não possa.. desde que haja amor, e isso é o que mais importa..
Minhas relações mais importantes não desapareceram de minha vida, o casamento, o romance, esses sim terminaram, mas a amizade e o amor, esses não.. pois o amor não é assim.. não pode ser.. não acredito que seja.. ele é vivo, só que agora em outra forma... ainda amo meus amores.. mas seguimos rumos diferentes na vida.. e não creio que precisamos ficar na raiva ou na mágoa por isso.. é o que tenho buscado sempre.
O que me incomoda é essa predeterminação “amorosa”, onde o outro é o que menos importa, desde que supra todas as demandas de um amor casadouro e eterno, mesmo sabendo no fundo no fundo, que é enquanto dure...
Ou seja, o casamento é o objetivo final, o motivo de toda entrega.. e então vêm as frustrações diárias.. aquele ser se desencanta, o sonho vira pesadelo... e o amor, que na verdade nunca esteve ali presente, se esgota no pouco que ainda tentava se fazer existir..
Todo dia assisto isso, as pessoas preocupadas em ter um amor pra toda vida... quando nem a vida é pra sempre.. e assim deixam de viver o amor das pequenas e belas coisas..
Me parece que antes de tudo é preciso saber amar.. saber olhar o outro, permitir esse amor crescer e florescer junto, e durar a vida que tiver que durar.. não são papéis, nem vestidos ou festas, nem gravatas cortadas que sustentarão a vida desse amor.. mas a vida diária, a relação que se nutre porque está viva e plena de amor, e não por contratos ou obrigações impostas... e se os rumos por algum acaso se tornarem opostos, que ainda assim haja muito amor, mesmo na difícil dor que acompanha todo fim.

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