*^*

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Azul brilhante...


Caindo do azul brilhante
onde as flores dançam como antes
Sem que nunca pudesse chegar onde ela está.
A estrela anil, que sumiu assim que pude acreditar.
Num salto pleno, o azul sereno tornou-se negro
Não havia estrelas, mas o sossego do livre desapego.
Chegando ao longe, levada por minha própria ânsia
de sentir no corpo o que o espírito emana
as asas reergui
Só me restava sentir toda a imensidão adiante.
Juntaram-se todos a me avisar:
-É melhor parar, ou pode ser tarde.
Até onde me cabe saber nunca pude
conhecer o que era além do além...

Negro buraco no mais vasto dos impactos
Aquele onde o grito é infinito
Onde tudo perpetua sem que a sombra escura
Se faça sombra, pois não há luz
Mas tudo se vê.
Caí, nu, negro, azul, brilhante.
Voei longe de tudo aquilo que escolhi.
Longe de tudo...
Mais perto de mim.
De perto me vi.
Acordei e sorri.

(in Mensagens Inconscientes, 2002)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Da criação



*
Rasga por dentro
na chaga, na ferida
De dentro
o músculo repuxa
o útero se contrai
É vida viva que sai
Eis então que nasce
de dentro dela
A Arte.

***

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A Mentira



Como raposa ardilosa
no seu andar sutil
Surge a mentira
toda prosa
de que seu alvo atingiu
Na história criada
para a si mesmo enganar
Sua covardia sua cova
Quando por tão pouco
arrisca a confiança matar.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

essa saudade...


Seu sorriso é a luz do meu dia
sem ele se esvai minha alegria
Sua doce e suave voz
é a música que me embala
sem ela a vida cala
Seus olhos
Sua boca
Suas mãos
Seu jeito
Seu corpo
Seus trejeitos..
tudo que me toma, por inteiro..
cadê você?
saudade é dor que maltrata..
e tentar fingir que não existe
é um fatal tiro pela culatra.

Prece

Sorrateira, à espreita, vagueia...
A serpente no deserto
A teia
No buraco o encontro
O cansaço
Nessa rede de sonhos
Cada nó desembaraço
Minha doce amiga aranha
Minha fiel guia
Busco tua ajuda
Nessa longa travessia.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O Enigma



Por trás das sombras
o sorriso singelo
ilumina minha vida
tornando tudo mais belo.
Como pode alguém ser tão doce assim?
Num silêncio encantado
Hipnotizada por seus olhos
só digo sim.

(11/07/10)

sábado, 25 de setembro de 2010

Livre-arbítrio


Eu tenho livre-arbítrio
Não apenas diante de Deus e do destino..
Mas diante de você.
Diante de mim.
Eu sou livre para caminhar o meu caminho
seguir meu destino
traçar minhas linhas..
cantar o meu canto
de noite de dia
E a liberdade, atroz, me trai
na ferida egóica que me joga pra trás
Me espanto e anoiteço..
na noite me reconheço..
No sonho a luz se acende
Na sombra a desnudez
respiro...
Sou livre
Até para errar outra vez.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

sensação doida...


Sensação doida essa...
ter você assim tão perto..
é como ir ao circo
comer algodão doce
dançar ciranda
como se a vida fosse
um carrossel
onde só existe esperança
e a gente fosse
pra sempre criança
brincando no céu.

Fogo Alquímico



*'*

Como fogo que explode
lambendo mato seco
meu corpo incendeia
no calor que encontra,
o teu.
Minhas ancas se abrem
na força do teu desejo
minha pele é rasgada
no tesão que nos separava..
na distância forçada
na saudade enclausurada..
no fogo desse encontro
meu corpo com o teu exala
a dança da vida que cala
tua boca com sede na minha..
Como vulcão que explode calado
do escuro nasce iluminado
em teus lábios,
já encharcados..
Rubro é a cor dos seus olhos
de leão que descobre o pecado
na carne que mata tua fome..

terça-feira, 31 de agosto de 2010

sexo poesia



Contigo me perco em ser, sabia?
me tenho contigo, na magia
no encanto de nossas orgias...
nessa saudade quente
nesse sexo poesia.

*'*

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Primaveril



Caminhando na noite
eu vi
as flores de todo mal
escorrerem putrefas pelo ralo..
se foi o tempo
das dores e dos lamentos
Renasci
e no perfume da dama
aquela da noite
me inflama
a alma que quer viver
crescer..
no sabor doce de cada jasmim
vi um sonho nascer
e sem perceber
arrefecer..
saí
da ferida viva
vi brotar poesia
senti
num mergulho no tempo
de cada espera
morri
e por morrer desse jeito, me fiz
nascer
novamente..
na noite florida
vi brotar
no frio, um sonho
e nas flores
a Primavera perdida.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Sussurro..



Sua doçura me encanta
Sua candura me comove
Nessa loucura de ser
Mais do que se pode

Meu desejo me consome..

Saudade da tua pele, no toque
na cor, na forma
Saudade da tua boca, no beijo
na palavra, no suspiro
Saudade dos teus olhos, que brilham
que procuram, que fitam
Saudade das mãos ansiosas, que suam
que gritam
que nas minhas se acalmam
ou se agitam

Essa ausência tortura
Pois que é cheia de presença
E assim meu coração com o teu copula
No silêncio de cada noite escura.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

meu amor...



Parece que te conheço há tanto tempo
Parece que você veio com o vento
E soprando canções de Amor me conquistou
Num sorriso suave
Num olhar sedutor

Agora meu peito quase explode
Meu coração com o teu quer dançar
E brincar de ciranda com as estrelas
Balançar numa rede
Nós dois, o luar

Você veio do nada, como pode?
Me intriga o tamanho e a velocidade
Mas no Amor não há tempo nem medida
E nada poderia ser mais verdade
Do que todo esse Amor
Que não deixa saída
A não ser a entrega
E a felicidade.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

desejo


No calor
na batida incontida
no desejo imortal, ter você
na libido, jamais escondida
tuas mãos, língua e gosto
teu rosto
tua boca, teu céu
me convidam trêmulos, réus
a impureza escondida atrás do véu
são máscaras caídas
o vinho, o fel
tua língua encontra a minha
dança nua
bordel.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Aprendiz

Ontem vaguei por instantes..
essa sou eu, itinerante...
sou eu..
você pulava, doía, crescia..
logo eu..
itinerante, vagante eu ia..
ao encontro de Orfeu
lírico, o mago, o tonto..
que tomba desse cavalo
o tombo...
no galope, se meus ouvidos entopem
logo eu, a posar de Zeus.

quinta-feira, 8 de julho de 2010



"Que olhos são os meus nos olhos teus?"

(Mia Couto)

domingo, 4 de julho de 2010

na trilha do louco



nua e cândida à beira da porta vazia..
sua mente vai adentrando seus espaços
vazios
cheios de um nada sedutor..
um nada gelado árido e fulgaz..
tão sólido que não me satisfaz.

a alma segue louca mente
o futuro se desfaz incandescente
o fogo brando desse inverno infinito
na alma calada
o grito.

sua veia se contorse...
me incendeia seu desejo retorcido..
mas a carga é pesada de mais
ou menos...
tanto faz..

você e eu, na roda do tempo
que será que virá desse vento?

terça-feira, 22 de junho de 2010

Pois amor nenhum vive de alma vazia..

Esgotamento nervoso..
A mil por hora minha mente vai...
Segue um percurso de horas a fio..
Por entre teias de um tear sutil

Num buraco te vi fugir correndo..
Como serpente seguiu até encontrar o ardil
Nesse jogo perverso vi arder toda tua trama..
Nesse olhar deserto que você deixou quando sumiu...

Nenhuma rede ou intriga deveria esse amor matar
Enfim, de toda nossa vida, quantas vezes isso já sentiu?
Se toda vez que te encontro fugir correndo..
Não sobrará nenhuma terra capaz de dar vida novamente..

No tempo certo todas as coisas se criam..
Do caos ao novo, a tortura na ânsia se faz...
Deixamos tudo pra depois, escondido..
Num cartaz na entrada, e um na porta de trás...

Para que não fujamos ou se formos, conscientes..
De que amor como esse não mais se faz...
Entre as portas que bater por horas a fio
Que tua trégua não se perpetue..

Pois amor nenhum vive de alma vazia..
E a vida se cria
quando duas almas que se amam
Se entregam com enorme alegria.

Esse amor asserenado
Bate triste no meu peito
Será que morre logo?
Ou será que a vida ainda se faz viva...

sábado, 19 de junho de 2010

...preâmbulo...


*'*

Então me disse..
- venha cá.. que bom tê-la de volta.. já sentia sua falta, pequena...
Hoje sonhei com castanhas.. eram duras, de cascas moles.. sorri dentes de ouro e você me dizia que voltava logo... que via uma luz no final daquele corredor longo por onde andastes todo esse tempo..
Então aqui chegastes...
Minhas pernas dóem.. como se tivesse passado uma vida andarilha.. mas nem sempre era assim.. às vezes eu cansava, queria correr mas não podia.. parecia que a vida era morta.. que minhas pernas não agüentariam... como agora.
Mas, Ariadne, minha linda menina perdida... como foi sua travessia?

Senti que ela me queria ouvir, me queria sentir, me queria saber mais... talvez para lhe sentir menos a dor em meus olhos..

- assustadora... no início achei divertido me comunicar com a escuridão, mas aos poucos o medo e o pavor quiseram tomar conta de mim... a solidão.. foram já muitos meses desde que te vi pela última vez.. Meses vividos no escuro, por companheiros os morcegos, corujas, aranhas, escorpiões e serpentes.. a todos, aliás, agradeço os ensinamentos, durante minhas crises pelo desespero e pelo cansaço..
Mas aqui estou, firme de novo... Mas há quanto tempo chove desse jeito por aqui? tudo está encharcado..

- perdoe, Ariadne.. sou eu.. não consegui parar de chorar desde que perdi meus óculos.. no tempo em que partistes...

domingo, 13 de junho de 2010

...

Transbordou...
Era tanto ardor, amor, desejo
transbordou...
Meu coração cansou de novo
Tem sofrido como maratonista
em corrida sem fim
Transbordou...
Não havia saída
Não havia escape
Simplesmente
transbordou...
Agora é esperar
o tempo de escoar
E quem sabe
deixar pra lá...

Você tem medo de quê?


No joelho a dor
anuncia
arrogância quebrada..
menos valia...

No orgulho besta
da fantasia
(so)negadora do viço
e da alegria...

...

A alma pura sabe e avisa:
"siga seu coração e acredite,
tudo floresce no tempo devido"

é por todos sabido...

Mas não deixe o medo ditar o ritmo
pois isso já é tortura..
e de nada vale esse sacrifício.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Transformação




Hoje segurei com as mãos e pés a carne da minha agonia..
Agarrei com os dentes e a facadas
Toda luxúria em mim calada
Seus olhos de fogo me consomem em inspiros
Sua boca molhada me suga o véu da cara
Sua força incontida me tira a casta
Fantasia
De um inferno de Dante dentro de meu paiol de alegrias

Tua boca seca agora espera o sinal do navio
Antes que ele chegue aporte seu coração , antes do frio..
Pois o gelo derrete no afeto vivo
Revivo
Mas o gelo vira rocha se longe e ermo, esfrio
Paraliso

eu hein!


Olha..
meu jeito é sem jeito
mas tenho recheio..
mnha risada sem graça
é de tanto gargalhar por dentro..
sabe como é, né..
convenções sociais..
vai que você chora
de tanto rir dessa história..
vai que você goza
de tanto segurar na memória..
vai que todo mundo me devora?!

domingo, 25 de abril de 2010

Água Viva



Translúcido...
o mar, a vida, a poesia
Cristalina a cor, nos olhos, na retina
Minha pele tocou, aos poucos, a maresia
O azul brilhante, a água macia
a areia fina, no raso eu via
Meus pés dançando, na onda que batia
Nesse vai e vem doce
Nas memórias curtidas
Quanto tempo não tive tua companhia
Agradeço de novo, e de novo, e de novo
Essa loucura infinita
que é estar na água viva
Mergulho profundo, como se minha alma soubesse
que a cada instante vale um pedaço de vida
Sinto paz lá no azul
no azul desse cristal mar
Cada cor, cada brilho, nos corais a brincar
São pedaços de encantos que me levam a vagar
Por caminhos de sonhos, que sonhei um dia
Minha vida vazia, se faz de novo cantar
Pelo ar que respiro, a cada erguer
no mar
São pedaços de vida, a mais
Em meu caminhar.

Vésper do Mar



As estrelas despontaram no céu
O Sol brilhou com força
Você estava radiante
E eu era súbita alegria
Minha alma te sentiu como nunca antes
Essa noite pressinto
Chegamos ao cume desse sentimento...

Você tem uma beleza além das formas
Um mistério profundo sem palavras
Um sorriso singelo que me devora
Uma alma sincera, nessa longa espera

Sorri
Acordei na certeza de um lindo dia
O Sol radiante, nos seus olhos
Destemia
Desfazia
Qualquer sinal de dura poesia

Sua doçura me cala como o raiar do dia
Nesse silêncio profundo, sincero e belo
Sinto suas mãos entrelaçando as minhas
Nossos medos e anseios não podem ser maiores
Que toda nossa alegria

Respiro fundo...
Bom dia!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Convite da Loucura




A Loucura resolveu convidar os amigos para tomar um café em sua casa.

Todos os convidados foram. Após o café, a Loucura propôs:

- Vamos brincar de esconde-esconde?

- Esconde-esconde? O que é isso? - perguntou a Curiosidade.

- Esconde-esconde é uma brincadeira onde eu conto até cem e vocês se escondem. Ao terminar de contar, eu vou procurar, e o primeiro a ser encontrado será o próximo a contar.

Todos aceitaram, menos o Medo e a Preguiça.

-1,2,3,... - a Loucura começou a contar.

A Pressa escondeu-se primeiro, num lugar qualquer. A Timidez, tímida como sempre, escondeu-se na copa de uma árvore. A Alegria correu para o meio do jardim. Já a Tristeza começou a chorar, pois não encontrava um local apropriado para se esconder. A Inveja acompanhou o Triunfo e se escondeu perto dele debaixo de uma pedra. A Loucura continuava a contar e os seus amigos iam se escondendo. O Desespero ficou desesperado ao ver que a Loucura já estava no noventa e nove.

- CEM! - gritou a Loucura. - Vou começar a procurar...

A primeira a aparecer foi a Curiosidade, já que não agüentava mais querendo saber quem seria o próximo a contar.
Ao olhar para o lado, a Loucura viu a Dúvida em cima de uma cerca sem saber em qual dos lados ficar para melhor se esconder. E assim foram aparecendo a Alegria, a tristeza, a Timidez...
Quando estavam todos reunidos, a Curiosidade perguntou: - Onde está o Amor?

Ninguém o tinha visto. A Loucura começou a procurá-lo.

Procurou em cima da montanha, nos rios, debaixo das pedras e nada do Amor aparecer. Procurando por todos os lados, a Loucura viu uma roseira, pegou um pauzinho e começou a procurar entre os galhos, quando de repente ouviu um grito. Era o Amor, gritando por ter furado o olho com um espinho. A Loucura não sabia o que fazer.
Pediu desculpas, implorou pelo perdão do Amor e até prometeu segui-lo para sempre. O Amor aceitou as desculpas.

Hoje, o Amor é cego e a Loucura o acompanha sempre.

(autor desconhecido)

domingo, 11 de abril de 2010

O Labirinto Parado

Perdi-me num labirinto de saudade
Senti
À montanha
Dos sítios que não mudam
Subi

E ao abismo
Do vertiginoso futuro
Desci

Procurei para o sol
Procurei para o mar

Mas sem ti
No céu da paisagem daqui
Afinal não saí
Mas sem ti
No céu da paisagem
Perdi
A noção da viagem

Na pedra já mais que branda da memória,
Escrevi
Com o tempo
que o musgo vai levando a crescer

Com o brilho que a esperança nos faz
no olhar
Escrevi
Que a saudade é prima afastada do vagar

Mas sem ti
No céu da paisagem
Perdi
A noção da viagem
Mas sem ti
No céu da paisagem
Daqui
Afinal não saí

***

terça-feira, 6 de abril de 2010

não, não era o fim..

O Sol!
Surgirá no horizonte
E espantará nossos medos..
E as ondas iam e vinham
Nesse mar de emoções que se fez no caminho..
E tudo então parou
nenhum sinal do fim parecia tão próximo..
Um anjo apareceu
Não, não era o fim..
Então por que o céu não pára de chorar?

dia branco

Entre o branco de seus olhos
e minha veste em branco,
prefiro a luz da manhã...
O Sol hoje não nasceu...
Se escondeu detrás de tanta água,
tanto vento..
O Amor em minha porta bateu,
senti no peito o valor de cada vida..
Senti no frio a dor dos desabrigados..
Senti na pele o medo em ondas de lixo e lama...
Hoje visto branco..
E entre o branco dos olhos e minhas vestes
Prefiro a luz, mesmo escondida, da manhã...
Assim a Esperança de todos há de sempre sorrir..

quinta-feira, 25 de março de 2010

Deixe aflorar toda sua doçura!


Às vezes, fico me perguntando porque é tão difícil ser transparente... Costumamos acreditar que ser transparente é simplesmente ser sincero, não enganar os outros. Mas ser transparente é muito mais do que isso.
É ter coragem de se expor, de ser frágil, de chorar, de falar do que a gente sente... Ser transparente é desnudar a alma, é deixar cair as máscaras, baixar as armas, destruir os imensos e grossos muros que insistimos tanto em nos empenhar para levantar...
Ser transparente é permitir que toda a nossa doçura aflore, desabroche, transborde! Mas infelizmente, quase sempre, a maioria de nós decide não correr esse risco. Preferimos a dureza da razão à leveza que exporia toda a fragilidade humana.
Preferimos o nó na garganta às lágrimas que brotam do mais profundo de nosso ser... Preferimos nos perder numa busca insana por respostas imediatas a simplesmente nos entregar e admitir que não sabemos, que temos medo!
Por mais doloroso que seja ter de construir uma máscara que nos distancia cada vez mais de quem realmente somos, preferimos assim: manter uma imagem que nos dê a sensação de proteção...

E assim, vamos nos afogando mais e mais em falsas palavras, em falsas atitudes, em falsos sentimentos... Não porque sejamos pessoas mentirosas, mas apenas porque nos perdemos de nós mesmos e já não sabemos onde está nossa brandura, nosso amor mais intenso e não-contaminado...
Com o passar dos anos, um vazio frio e escuro nos faz perceber que já não sabemos dar e nem pedir o que de mais precioso temos a compartilhar... doçura, compaixão... a compreensão de que todos nós sofremos, nos sentimos sós, imensamente tristes e choramos baixinho antes de dormir, num silêncio que nos remete a uma saudade desesperada de nós mesmos... daquilo que pulsa e grita dentro de nós, mas que não temos coragem de mostrar àqueles que mais amamos!

Porque, infelizmente, aprendemos que é melhor revidar, descontar, agredir, acusar, criticar e julgar do que simplesmente dizer: você está me machucando... pode parar, por favor!. Porque aprendemos que dizer isso é ser fraco, é ser bobo, é ser menos do que o outro. Quando, na verdade, se agíssemos com o coração, poderíamos evitar tanta dor, tanta dor...

Sugiro que deixemos explodir toda a nossa doçura! Que consigamos não prender o choro, não conter a gargalhada, não esconder tanto o nosso medo, não desejar parecer tão invencíveis...
Que consigamos não tentar controlar tanto, responder tanto, competir tanto... Que consigamos docemente viver... sentir, amar... apesar de todo o risco que isso possa significar...

(Rosana Braga)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

de seres pensantes a seres pulsantes


Existem momentos na vida em que é necessário ficarmos quietos...
nos recolher em silêncio.. sossegar em casa, caminhar sozinhos, com ou sem rumo...refletir, refletir-nos..
Nossa própria companhia é insubstituível em certos momentos...
Então ficar sereno, olhar pra si é fundamental... desapegar-se do fútil, do frívolo, do superficial, esquecer a pressa e mergulhar no profundo da alma, onde a razão conturbada e controladora dos pensamentos consiga dar lugar aos sentimentos, à emoção, à fluidez da vida, do desejo da alma..
E quando tudo flui então, tudo isso dá lugar a uma intuição dantesca, onde não há medos ou dúvidas, mas a certeza de que somos um com o todo, e que o universo sussurra o tempo todo em nossos ouvidos cada passo que precisamos dar pra sermos mais felizes.. e assim trazer felicidade pro meio em que vivemos, dando seguimento à roda da vida... que nunca cessa, mas que sempre emperra quando não ouvimos essa voz que vem de dentro, desse ser inteiro que pulsa, como pulsa o coração da terra.
Pois o planeta é vivo, ele pulsa.
E precisamos ouvi-lo, resgatar esse eixo, esse centro, esse fio que nos conecta com todos nossos parentes, os humanos, e como dizem os índios, todos nossos parentes pedras, àrvores, animais, mares, rios, céus, estrelas, planetas, tudo que é vida, pois tudo isso pulsa e está carregado de energia vital...
Quanto mais ignoramos nosso laço original com a natureza mais nos afastamos de nós mesmos.. e continuamos a correr contra a roda, engasgados nas angústias diárias de ter que ser, ter que ter e ter que parecer o que não se é..
Sempre que aquietamos o corpo, a alma, o coração e a mente ganhamos a oportunidade de resgatar esse elo perdido..
É tempo de refazer o contato com a terra, trazendo mais consciência de nossa raíz na matéria, na terra, sabendo que nosso corpo é nossa casa, e nossa casa é nosso templo sagrado, o lugar de encontro com o mais profundo e íntimo de nosso ser.
É tempo de plantar os pés no chão, literalmente, e deixar sentir a energia e o pulsar da terra, nossa grande Mãe, nosso útero maior, nossa casa.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Minha odisséia..


*

Quando eu chegar a esse porto..
Que me tragam todas as honrarias que me cabem
Quando chegar dessa luta, nesses mares de mim..
Quero compartilhar com todos essa alegria

Sem subterfúgios nem segundas vias.

Quando retornar esse brilho
Resgatar esse viço..
Serei ainda mais eu
E você ainda mais você
E.. inteiros e serenos
Seremos..
Sem mais nos perder..

*'*

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Quase nada


De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho

Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo

Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada

Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada.

Zeca Baleiro.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Liberdade de só ser



Toda memória tem um sentido de ser...
Nas travessias errantes vi nascer uma caravana de música e poesia..
Todas as minhas memórias ganharam sentidos..
Sons, lugares.. vestidos...
Despidos
Fomos nus até a outra ponta do mundo..
Sem amarras não nos perdemos um segundo...
Livres, corremos soltos
Em busca de nossos sonhos mais escondidos..
A liberdade de só ser
um dia há de acontecer...
Mas eu diria
depois de tanto ter que ser..
viria
a castigar os homens dessa terra de hipocrisias..
dessa dura realidade de ser..
As máscaras caem, vazias...
O cadáver deixa à mostra a secura de sua vida..
Nossa humanidade carece de amor, respeito e liberdade..
Sem falar na coragem..
Que parece, ficou encoberta por uma pseudo-pacificidade:
“Dê a outra face..
Assim fará sua parte..”
Mas querer emoldurar o vento?
Ah! Isso já é sacanagem...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Quero sambar, meu bem



quero sambar,
meu bem
quero sambar
também
não quero é vender
flores
nem saudade
perfumada
quero sambar,
meu bem
quero samba
também
mas eu não quero
andar na fossa
cultivando tradição
embalsamada
meu sangue é de
gasolina
correndo, não tenho
mágoa
meu peito é de
sal de fruta
fervendo no copo
d´água

(Tom Zé)

Valentine's day




São Valentim virou santo depois de ser condenado a morte, por ter desobedecido às ordens de um imperador, que queria manter os homens livres por acreditar que seriam mais eficazes nas batalhas se fossem solteiros, ou não estivessem envolvidos em romances.. Valentim realizava casamentos às escondidas, e quando morreu, os românticos lhe levaram flores e bilhetes mostrando que continuariam a acreditar no amor..
Ontem, dia 14 de fevereiro, em boa parte do mundo foi comemorado o dia dos namorados, em sua homenagem, pois foi o dia de sua morte.
Aqui no Brasil, parece que nosso dia dos namorados surgiu idealizado por comerciantes, que aproveitaram a véspera do dia de santo Antônio para fixar o dia 12 como o dia da troca de presentes e assim garantir que esse mês, sempre tão fraco, ganhasse nova vida comercial.. o que, sabemos hoje, deu certo..
Não gosto do dia dos namorados, não acredito em casamento tradicional, santo antônio que me desculpe, nunca fui sua devota...
Mas acredito no amor.. não no amor piegas, ou dos contos de fadas.. mas no amor inteiro, o amor da entrega.. da aceitação das diferenças e da não idealização do outro.. será possível?
sei que humanos idealizam...
mas ainda tento, e tenho até conseguido...
não acho que uma relação tenha que durar pra sempre... mas também não acho que não possa.. desde que haja amor, e isso é o que mais importa..
Minhas relações mais importantes não desapareceram de minha vida, o casamento, o romance, esses sim terminaram, mas a amizade e o amor, esses não.. pois o amor não é assim.. não pode ser.. não acredito que seja.. ele é vivo, só que agora em outra forma... ainda amo meus amores.. mas seguimos rumos diferentes na vida.. e não creio que precisamos ficar na raiva ou na mágoa por isso.. é o que tenho buscado sempre.
O que me incomoda é essa predeterminação “amorosa”, onde o outro é o que menos importa, desde que supra todas as demandas de um amor casadouro e eterno, mesmo sabendo no fundo no fundo, que é enquanto dure...
Ou seja, o casamento é o objetivo final, o motivo de toda entrega.. e então vêm as frustrações diárias.. aquele ser se desencanta, o sonho vira pesadelo... e o amor, que na verdade nunca esteve ali presente, se esgota no pouco que ainda tentava se fazer existir..
Todo dia assisto isso, as pessoas preocupadas em ter um amor pra toda vida... quando nem a vida é pra sempre.. e assim deixam de viver o amor das pequenas e belas coisas..
Me parece que antes de tudo é preciso saber amar.. saber olhar o outro, permitir esse amor crescer e florescer junto, e durar a vida que tiver que durar.. não são papéis, nem vestidos ou festas, nem gravatas cortadas que sustentarão a vida desse amor.. mas a vida diária, a relação que se nutre porque está viva e plena de amor, e não por contratos ou obrigações impostas... e se os rumos por algum acaso se tornarem opostos, que ainda assim haja muito amor, mesmo na difícil dor que acompanha todo fim.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Solitude




Torto..
Um dia de carnaval...

Soube anteontem que você não vinha...
Fiquei triste.. tinha preparado tudo pra sua chegada..
Meus olhos de novo brilhavam...
Minhas mãos ansiosas brincavam de agarrar-se umas às outras (!)
E eu achei que era minha intuição falando alto agora
Sempre fui boa nisso.
Mas com você ainda não sei..
Parece que nada nesse mundo será capaz de me fazer acreditar que ainda estou viva...
Você não chegou...
E o Minotauro até fica bonito quando me carrega
Seqüestrada, como um guerreiro que salva a dama do perigo...

Mas você não veio...
Meu labirinto é de solitude...
Não, não é de solidão..
Pois não chega a ser ruim...
É só um estado triste de perceber
Que no final todos somos sós...
Só isso..

Uma solitude apaziguadora de meus animus..
Sim, pois tenho muitos.. ô!
Sou o guerreiro.
E a princesa..
E o dragão.
E a solitude..
E a solidão.

Mas você não veio...

Alguém pode contar isso pra minh’alma?
Acho que ela ainda não entendeu...
Minha cabeça olha e ridiculariza todos esses sentimentos
Minha anima está delirando, pensa...

Onde está o dragão
Está meu coração.
Ele sim.. sofre enclausurado..

Acho que aguarda quem faça desaparecer esse maldito encanto..
Maldito sim..
Pois meu sentimento de amor é pleno..
Mas esse medo.. ah!
esse medo do passado vira essa jaula mansa..
Essa faca espetada no peito, essa mágoa..

Mas você não veio..

E agora sim..
Vou respirar sozinha.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A difícil Arte de Amar ou 'Monólogo de Narciso'



Todo dia sorvo simplicidade.
Todo dia percebo como sou pequena.
Todo dia percebo como sou grande.
Simples assim.

E o Outro?

Ah! O Outro?
O Outro sou Eu
que determino quem seja
ou que tamanho tenha
O outro não me importa
quando olho no espelho.
O espelho me cega
Me ensurdece.
Paralisa, rouba minha alma
na vaidade e
no desespero de ser Eu.
Mas o outro
Ainda não sei,
porque é na orgia de eus que me encontro
Comigo.

A festa do Louco...



Hoje vi passarinhos pertinho da minha janela.. coloridos, pequenos, grandes.. rápidos, juntos, separados.. muitos muitos...
Hoje sorri..
Vi muitos passarinhos.. vinham de dentro... muitos muitos.. fazendo cosquinhas na nuca... vinham de dentro do peito..
Vinham sussurrados.. de dentro da alma.. até meus ouvidos..
Cantando, planando....

...

Mergulhei junto... no fundo da alma.. da alma do mundo..
Uma sensação leve.. de paz serena..
Meu céu, daqui, é lindo.. esse é um presente que agradeço todos os dias..
Estar viva pra poder sentir isso..
Agradeço, de todo coração, toda essa plenitude... paz e serenidade...
Meu coração sorri..
Bobo, louco, feliz..

...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sonho Alquímico...


W. Blake

*'*

no labirinto de sonhos entrei agora...
desci até onde não havia luz...
escorpiões negros em toda parte...
no Hades é assim..
não sei se te contaram..

*

O escorpião negro...

Brilhava na sombra azul
Escura
Brilhava olhos de segredo...
Brilhava nas sombras azuis
Ele O escorpião negro.

Não tem mais segredo..
O amor vingou..
Não é mais segredo..
Ninguém escapou
Do escorpião negro.

...

Sorriu e chorou
Ao sentir que ferroou
Seu coração.

E seu medo
Era ter que enfrentar
Seus sonhos..

...

Serenata

Desculpe-me amor.. chorei.. senti a dor me consumir.. sentei e chorei...
Chorei sem derramar uma só lágrima.. pra não te incomodar...
Sei que o meu sorriso te seduz muito mais..
Também amo o sonhar...

Chorei por não saber sequer meu nome..
Chorei por me sentir desamparar..
Me deixei só
Em abandono
Me deixei só
Pra que me enganar?

***

Mas teu sorriso me encanta
Prefiro ao meu..
Te olho em meu espelho..
E o seu sorriso também é meu.

Me vi criança, no teu jardim proibido..
Me fiz criança, nos meus teus gemidos.
Não quero ter medo do amor..
Por isso escolhi o gozo, a paixão, o ardor..

*

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Vem comigo..

Vamos começar de novo!
Vamos deixar de lado aquele lodo...
Virar essa página já cheia de mofo...
viver o agora e enxergar nossa realidade
Torcer para no futuro tudo fazer sentido...
E que possamos ver quem somos
por trás de todo esse mar de equívocos..
desse passado torto...
Vem comigo..

domingo, 31 de janeiro de 2010

Poema roubado... ou.. Uma singela homenagem...



Complemento impressionante de sentimentos tão meus..
mentes inquietas.. que dialogam incólumes.. doidamente... e às escuras.
O Sol.. ilumina esses recantos e traz à luz esses encontros..
Bela poesia.. do poeta louco e amigo constante.. Daniel Dobbin (complexodesagitario.blogspot.com)

O Sol
a luz
que brilha, aquece, cega..
tanto precisamos
queremos, amamos
tememos...
Com coragem enfrentamos
tantas coisas ruins
mas as boas..
aquelas terrivelmente boas..
capazes de nos congelar com seu calor..
dessas fugimos
prendemos a respiração e corremos
afinal,
sempre preferimos nos abandonar
a ser abandonados..

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Vamos fugir!


Vamos fugir!
Deste lugar
Baby!
Vamos fugir
Tô cansado de esperar
Que você me carregue...

Vamos fugir!
Pr'outro lugar
Baby!
Vamos fugir
Pr'onde quer que você vá
Que você me carregue...

Pois diga que irá
Irajá, Irajá
Prá onde eu só veja você
Você veja a mim só
Marajó, Marajó
Qualquer outro lugar comum
Outro lugar qualquer...

Guaporé, Guaporé
Qualquer outro lugar ao sol
Outro lugar ao sul
Céu azul, céu azul
Onde haja só meu corpo nú
Junto ao seu corpo nú...

Vamos fugir!
Pr'outro lugar
Baby!
Vamos fugir
Pr'onde haja um tobogã
Onde a gente escorregue

Todo dia de manhã
Flôres que a gente regue
Uma banda de maçã
Outra banda de reggae...
Tô cansado de esperar
Que você me carregue...

Gilberto Gil.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Na natureza dos dias



Sempre me encanta o Sol...
a brilhar refletido
a brilhar colorido
nas folhas úmidas de cada manhã..

Sempre me encanta saber que sou vivo
e parte dessa Natureza que só me traz alegria...

Me emociona o vento e o brincar das aves
que parecem paradas no tempo...
Ai quem me dera voar com elas
e sorrir embasbacado com toda a beleza
desse mundo visto de cima.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Arte de Si.

Olha eu aqui de novo...
Nos desenhos que fiz de mim...
Nos meus contos sutis,
Nas minhas entrelinhas...

A minha Arte de Ser...
Arte do dia a dia...
Minha Arte preferida..
Minha Real Alegria.

*

Atrás de mim estou Eu
Estou
Atrás de Ser
Estou
Atrás de Ser Eu

Na frente
Me chamo
Me respondo
Atrás de mim estou Eu
Não corro mais
Nem me assombro
Caminho.. junto de mim
Sou Eu.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Medo do Amor

Sozinha sigo pelas ruas...
Cinza cada pedra
Minha história jamais me perdoou..
Só, sigo só...
Pelo preço caro por ter tido medo...
Meu medo era puro medo, sim...
Mas mais medo tinha o meu amor..
Segredo! não se foi nem tão cedo..
Mesmo quando minh'alma aquietou.
Sereno.. mora aqui dentro..
ainda.. e fora.. e inteiro.
Sereno..
Sigo só..
Mas te sinto comigo.. estranho isso..
Parece que você não quer me deixar..
Pois eu, você já sabe...
Tropecei no meu amor quando o vi em você..
Ali, assim, tão perto.. tão rápido.. tão forte..
Me assustei, hoje eu sei...
Me perdi.. fugi...
quando voltei, não mais te encontrei..
Perdôe-me..
É só o que tenho a dizer.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Alma!




Alma!
Deixa eu ver sua alma
A epiderme da alma
Superfície!
Alma!
Deixa eu tocar sua alma
Com a superfície da palma
Da minha mão
Superfície!...

Easy! Fique bem easy
Fique sem, nem razão
Da superfície!
Livre! Fique sim, livre
Fique bem, com razão ou não
Aterrize!...

Alma!
Isso do medo se acalma
Isso de sede se aplaca
Todo pesar não existe
Alma!
Como um reflexo na água
Sobre a última camada
Que fica na
Superfície!...

Crise!
Já acabou, livre
Já passou o meu temor
Do seu medo sem motivo
Riso, de manhã, riso
De neném a água já molhou
A superfície!...

Alma!
Daqui do lado de fora
Nenhuma forma de trauma
Sobrevive!
Abra a sua válvula agora
A sua cápsula alma
Flutua na
Superfície!...

Lisa, que me alisa
Seu suor, o sal que sai do sol
Da superfície!
Simples, devagar, simples
Bem de leve
A alma já pousou
Na superfície!...

(Arnaldo Antunes e Pepeu Gomes)

*'*

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Caminhos

"Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é
ainda vai nos levar além.”
(Paulo Leminski)




Era um caminho que de tão velho, minha filha,
já nem mais sabia aonde ia...
Era um caminho
velhinho,
perdido...
Não havia traços
de passos no dia
em que por acaso o descobri:
pedras e urzes iam cobrindo tudo.
O caminho agonizava, morria
sozinho...
Eu vi...
Porque são os passos que fazem os caminhos!

(Mario Quintana)

Ítaca




"Quando você partir, em direção a Ítaca,
que sua jornada seja longa
repleta de aventuras, plena de conhecimento.

Não tema Laestrigones e Cíclopes
nem o furioso Poseidon;
você não irá encontrá-los durante o caminho,
se o pensamento estiver elevado,
se a emoção jamais abandonar seu corpo e seu espírito.
Laestrigones e Cíclopes, e o furioso Poseidon
não estarão em seu caminho
se você não carregá-los em sua alma,
se sua alma não os colocar diante de seus passos.

Espero que sua estrada seja longa.
Que sejam muitas as manhãs de verão,
e que o prazer de ver os primeiro portos
traga uma alegria nunca vista.
Procura visitar os empórios da Fenícia
e recolha o que há de melhor.
Vá às cidades do Egito,
e aprenda com um povo que tem tanto a ensinar.

Não perca Ítaca de vista,
pois chegar lá é o seu destino.
Mas não apresse os seus passos;
é melhor que a jornada demore muitos anos
e seu barco só ancore na ilha
quando você já estiver enriquecido
com o que conheceu no caminho.

Não espere que Ítaca lhe dê mais riquezas.
Ítaca já lhe deu uma bela viagem;
sem Ítaca, você jamais teria partido.
Ítaca já lhe deu tudo, e nada mais pode lhe dar.

Se, no final, você achar que Ítaca é pobre,
não pense que ela lhe enganou.
Porque você tornou-se um sábio, e viveu uma vida intensa,
e este é o significado de Ítaca.

(Konstantinos Kavafis)

*

Que em 2010 e cada vez mais a Humanidade possa caminhar em Beleza e Harmonia... é meu desejo mais sincero e profundo...

*

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O baú do inconsciente... e todos esses medos...




*

Flores azedas.. moídas.. putrefas...
No teu lodo de sentimentos abriga-se um pedaço de minh’alma..
A quero de volta.. não quero mais morar aí.. não quero mais alimentar nossas dores..
Não quero mais matar nossos amores...
Pela raiz todo mal já foi cortado..
E o terreno já foi todo preparado..
Para que nossas flores possam nascer de novo..
E de novo.. e de novo.

***

Por que estou tão trancada.. perdida... vendida ao entorpecimento etéreo de vícios já tão antigos?
Por que sentir toda criatividade que em mim pulsa não basta pra que seja tão (pro) criativa então?
Pareço um cachorro correndo atrás do próprio rabo.. é assim que me sinto agora... nesse pequeno instante..

Me perco quando você está comigo.. ou melhor, acho que me perco quando eu estou contigo.. sei lá!
Uma parte de mim se perde nesse afeto descontrolado... nessa submissão anestesiante..
Minha mãe me veio à cabeça agora.. me lembrando de como ela não acreditava em mim.. de como se submetia ao meu pai, enquanto eu e meus irmãos assistíamos.. era uma devoção sem igual... acho que amei demais meu pai.. mas amei talvez mais minha mãe.. ou sua devoção, seu amor sem igual.. será que quis ser como meu pai para consquistá-la?
quem sou eu?
Será que estou amaldiçoada?
Será que pra sempre, toda vez que amar alguém e ficar perto demais vou me perder de mim.. vou vender minha alma, ou melhor.. dar assim de mão beijada?
Pra quê?
Por quê?
A vida é estranha eu sei.. dói essa incerteza quanto ao nosso fim.. ou começo.. sei lá...
Olha eu aqui agora.. de cara.. de cara com minha angústia tão temida.. ou fico muito só (inteira) ou muito distribuída (partida).

***

Desculpe.. só queria me explicar..

Quem é você??
Cadê ele?
Virou mesmo sombra?
E cadê eu?
Não preciso mais dessa dor, não é mesmo?
Por isso você sumiu...
Chegou a hora de sorrir e cantar... e comemorar a vida e todas essas cores!
Pressinto...
Desculpe, é que senti saudades.. hoje encontrei velhas poesias nossas..
E até mesmo um desabafo... de quando te trouxe de volta, em 2005.. após aquele colapso.
Não te vejo mais..
isso é bom??
Agora sou eu.. ops.. acabei de te achar.. escondido aqui no meu peito, apertado por meu medo de desabrochar.. hahaha..
Welcome back!!!

***