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Olho mágico



De repente anoiteceu..
O pão mofou...
O queijo também..
Mais nada na dispensa...
Continuo sem fome...
Me alimento do pensar..
E das conversas que tenho com o Universo..
Ou seria Pluriverso?
é tanto imaginar!

Meu olho de caleidoscópio não se perde..
Como aranha tece as teias todas..
Como areia cai devagar pela longa ampulheta..
Meu olho de caleidoscópio tem múltiplos relógios..

Meu labirinto onírico é minha vida vivida...
Tantas portas abertas, trancadas, só encostadas..
Todo dia lá estão, as mesmas de sempre..
Meu estado de espírito decide o caminho do dia..
Às vezes só sigo e me deixo ver o que há lá..
Às vezes prevejo o presente futuro..
Mas sempre percebo o quanto se vive às tontas..

O labirinto é dentro do olho..
No olho mágico há luz e há sombra..
No círculo fechado meu olho direito vê o profundo...
A sombra prevalece..
A luz estoura em meu olho esquerdo..
A profundidade vira superficialidade..
Meu olho mágico é 2
É em todo lugar..

Onde estou, nessa altura do labirinto?
Portas, portas, portas...
Chaves.. cadê as chaves?

Pelo olho mágico ninguém me vê..
No sonho o grito se tranca na garganta..
Na cama o corpo luta..
Olho arregalado, fechado..

Portas, portas, portas...
Chaves.. cadê?
Pelo olho mágico ninguém me vê?

Comentários

  1. Nossa mana..linda demais essa poesia...algo na poesia me lembrou o estilo da Clarice Lispector...amei!! bjo grande moça do olho mágico.....

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  2. Brigada, Lu... amo a Clarice.. fico lisonjeada..

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'Na torre' ou 'P Ermita' ou 'Contrasenso'

Bonita vista aqui de cima
Bonita retina...
No espelho das mágoas congelei
sem saber do amor
seu modo mais sutil
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vai e vem, companhia...
Na torre não há muros
ou travas ou o escuro...
Só mágoas
E medo.
E medo paralisa.
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De ti ficam as sobras
Do banquete que comi.
Corro, fujo, me surpreendo..
Quanto mais ando mais me arrependo
De pesar tanto essa carga nas costas...
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Doação, via dupla, mesmo se não gosta..
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Pouco a pouco me deixo a morrer
No fosso os fantasmas gritam satisfeitos
No terraço os anjos gritam meus defeitos
Sozinha me fecho
É mais certo,
Não estar perto, dá nisso
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Com data de entrada e data de saída
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Extrema necessidade

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Preciso
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Nela viver, na arte
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Cada dia
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Durmo e acordo contigo
Preciso
Como flecha certeira em alvo invisível
Preciso
Do ar que me invada, me abra
Me fazendo certeira
Me fazendo
Inteira
A Arte
Inteira
Preciso muito
Respirar
Preciso.