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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Noturna


caminho com a noite...
embalada por doces e nobres sonhos...
antigos... sonoros... plásticos... reais.
estou a dormir com anjos e com demônios...
minha vida me embala em doces e tolos sonhos.
grito.
suspiro.
gozo.
na casa dos sonhos,
caminho, noturna.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

*

Vi alguma coisa do outro lado do muro...
O que era então?
Não vi não, era sonho...
Não vi não...
Tinha o muro... tinha o sonho...
E tinha o outro lado.

***

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Lua Negra

Entrei pelo espelho, no fundo, no fundo...
Caí, de joelhos, castigada pelos deuses sem pudor que habitavam em mim...
Se punem e culpam sem parar de pecar...
Gozam nas paixões proibidas...
E Lilith, serpente enfeitiçada pelo desejo selvagem e hostil, rebelde e vil...
É Lilith que habita agora em mim.
É ela quem grita, esbraveja, corta sem dó.
É despudorada, pela vida que nela habita.
É estrela, é livre...
É Lilith agora em mim.

HaHaHa! Só rindo mesmo...

Engraçado meu novo caminho...
aí está tudo que sempre sonhei... desde infância... e agora?
O que quero eu?
Que puta merda de coração sagitariano ansioso!!
Cá estou eu de novo...
Do lado de cá, de olho no de lá...
Do lado de lá, de olho no de cá.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Vésper

Agora deu no que deu
De repente os olhos teus
Me cercavam pelo ar
De um lindo dia
Manhã vazia
Qualquer manhã

Delírio apenas
Eu sei que Atenas
Não vai chegar

Manhã pequena
Noite pequena
Tempo a passar

E a madrugada
Que é coisa rara
Me faz sonhar
Que um belo dia
Nos olhos teus
Ei de alcançar

Aquele sonho
Aquele dia
Outro lugar.

***

(o primeiro poema que fiz na vida, 2002, ao acordar... havia lido Drummond no dia anterior, acordei com o sol... e versos brotando em minha cabeça, sem parar... então corri, peguei caneta e papel, daí então não mais quis parar... me apaixonei pela poesia.)

Enigma

*

Se paro, o mundo gira ao meu redor
e não sei mais para que lado caminhar,
pois parece não mais fazer diferença.
Pobres crianças doces e suaves, com seus chifres contundidos
por bater nas paredes de meus sentidos.
Chacoalho e me vejo diante de setas em qualquer direção.
Não parece diferença fazer se não mais posso viver
como aqueles que sentem a cor da carne
e o sabor de dias e dias ensolarados.
A luz me incomoda em dias nublados.
Não enxergo um palmo aqui a meu lado.
E da certeza que um dia soube nunca ter tido,
resta a certeza de jamais poder ter percebido
quão grandes eram as esfinges de toda minha vida.
Se criança me faço em cada cruzada,
cada segredo que descubro se faz como mais um
estardalhaço deixado para trás pela criança perdida.
E se creio crescer diante dos monstros do medo,
Cronos me assusta dizendo que o tempo passa para todos.

***

(in 'Mensagens Inconscientes, 2002)

Coração de Fogo

*

No momento, entre correntes de concreto
me permito absorto, ser abstrato
do modo mais barato
que me é dado ser.

Ser criador ou criatura
entre os móveis da amargura
já que assim me faço ver.

Crer no que brotou de mim.
Como se fossem agulhas perdidas
na corrente sanguínea,
a me cutucar vez ou outra
me lembrando que também tenho um coração,
que bombeia esse sangue que circula em minhas veias
para que me faça fogo então.

Ardente tenho a alma
que, comparsa dessa chama que pulsa sem cessar,
prolifera ares de que tudo pode
e grita em meus ouvidos todos seus dotes.
Me inquerindo corações sempre a saciar.

***

(in Mensagens Inconscientes, 2002)

22

Silva e Brites
selva e pedra...
Adriânica...
sol... céu... mar...
gôsto de beijo na boca...
gar galhar.

Lírio perdido no tempo...
flores deitadas em minh'alma ...
espinho, dores...
sangue em cores...
no corpo desenhado, minhas marcas.

Som, som, som...
na tontura,
no labirinto ainda me acho...
me encontro...
mais abaixo, mais abaixo.

Céu e inferno...
calor pra saber que sou vivo... vivo... vivo...

no inferno e céu de mim.

armadilha...
fantasia...
carne humana me sacia todo dia...
todo dia.

Giro leve...
giro e giro.

chego...
acordo.
sinto o mundo...
existo, não vivo só...
mas só existo e vivo em mim...

Eu sou o Louco que salta o abismo...
e sorri.

(de 27/09/2007)