*^*

sábado, 5 de dezembro de 2009

Olho mágico



De repente anoiteceu..
O pão mofou...
O queijo também..
Mais nada na dispensa...
Continuo sem fome...
Me alimento do pensar..
E das conversas que tenho com o Universo..
Ou seria Pluriverso?
é tanto imaginar!

Meu olho de caleidoscópio não se perde..
Como aranha tece as teias todas..
Como areia cai devagar pela longa ampulheta..
Meu olho de caleidoscópio tem múltiplos relógios..

Meu labirinto onírico é minha vida vivida...
Tantas portas abertas, trancadas, só encostadas..
Todo dia lá estão, as mesmas de sempre..
Meu estado de espírito decide o caminho do dia..
Às vezes só sigo e me deixo ver o que há lá..
Às vezes prevejo o presente futuro..
Mas sempre percebo o quanto se vive às tontas..

O labirinto é dentro do olho..
No olho mágico há luz e há sombra..
No círculo fechado meu olho direito vê o profundo...
A sombra prevalece..
A luz estoura em meu olho esquerdo..
A profundidade vira superficialidade..
Meu olho mágico é 2
É em todo lugar..

Onde estou, nessa altura do labirinto?
Portas, portas, portas...
Chaves.. cadê as chaves?

Pelo olho mágico ninguém me vê..
No sonho o grito se tranca na garganta..
Na cama o corpo luta..
Olho arregalado, fechado..

Portas, portas, portas...
Chaves.. cadê?
Pelo olho mágico ninguém me vê?

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

simplesmente..

teu sabor tão doce
minha boca beija,
minha pele quente de encontrar a sua
meu sabor tão doce
sua boca beija,
sua pele quente, gostosa e nua.
eu simplesmente amo
nós dois, inteiros
Simplesmente amo nossa mistura.
tem vezes que a gente sente porque é sozinho..
tem vezes que não..
tem vezes que a solidão chega de mansinho..
tem horas que não
tem horas que sinto o vazio na palavra que não quer ser dita.

domingo, 8 de novembro de 2009

E tudo era mar...

Aceitei te dar aquele beijo
Achei que você fosse suportar
Viver o desejo ainda ao meio
Me ver sorrir mas me ver chorar

Meu coração se encheu de receio
Parecia que podia estourar
De todo modo acertou em cheio
Antes de você vir tudo aqui era mar

Teu sorriso sério me partiu ao meio
Tua risada charmosa me tirou o ar
Você não tem idéia do quanto me incomoda
Você não tem idéia de como é te amar

E te daria mil beijos e te traria alegrias
Te daria a mão, nos faria voar
Nesse mundo gigante a gente se perderia
Nesse mundo gigante onde tudo era mar

E daqui dessa distância
tudo é turvo e pueril
penso se criei isso tudo
penso se você nunca existiu

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

!!

sextas, feiras.. insanas.. em cenas..
todas as formas de reter o que quer viver, o que quer correr livre..
paixões, pathos... sombras, o que for..
dentro de mim não se cala essa voz que berra, sem cessar..
no peito se aperta.. agora.. retido..
espero que não exploda..

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

no escuro das horas..


Levantei às seis, tirei o sono do lugar..
Mantive acesa a vela..
Ainda não era hora..
Despertei às sete, tirei as horas do lugar
Nunca me detive em pequenas coisas, não ia ser agora..
Acompanho seus passos, fico curiosa..
Quero saber aonde pode me levar..
Até agora nenhuma surpresa..
Será que sou eu?
Ainda estou trancada..
Ainda não acordei de fato.
Ainda durmo e sonho acordada..
Ainda não são nem três.

domingo, 25 de outubro de 2009

trash cool side


Toda beleza aqui tardia
nas linhas desse caderno de poesia..
quanto tempo minha voz não ouvia
não sei se choro de mágoa ou de alegria.
me dói o abandono por medo e preguiça.
tenho medo de morrer drogado
em alguma esquina.
my trash cool side ri disso tudo
pensa ser importante e imortal..
Mentira!
mas diverte-se contando vantagem
e tirando sarro da sujeira da vida.
Tem um quê de graça e acha até bonito..
algo assim, meio James Dean.

Nigredo

Houve um tempo em que a vida espichava, crescia...
Houve um tempo em que a vida era viva, era sentida, era vivida..
Esse tempo faz muito tempo, esse tempo já nem existia..
no meio da noite, quando a noite é mais negra
a vida se esvai como se esvai o dia..
os sentidos se calam, a vida é vazia. Esvazia.
A alma chora em silêncio..
até o desespero dorme calado,
aguarda um fio de luz que alimente seu grito e assim viva.
Pois aqui no mais escuro da noite
só é vivo o medo.
baby, baby...
que amor é esse
de palavras soltas
e alma vazia?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Meu suave e estranho amor

Acabei de te ler falar de amor
de modo tão puro, sincero e belo..
senti então por você amor profundo..
desses que quase dóem.. Estranho..
é estranho, mas tenho por você amor profundo..
e não há mais nada que mude isso..
não importa onde possamos estar..
quão perto ou quão longe...
Você já é uma das pessoas mais importantes da minha vida..
E tudo aconteceu de repente
e ao mesmo tempo tão sorrateiramente..
É verdade.. não há porque mentir...
É suave, mas é amor o que tenho por ti.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O Jardim do Rei



Não sei, ama, onde era.
Nunca o saberei...
Sei que era Primavera
E o jardim do rei...
(Filha, quem o soubera!...)

Que azul tão azul tinha
Ali o azul do céu!
Se eu não era a rainha,
Porque era tudo meu?
(Filha, quem o adivinha?)

E o jardim tinha flores
De que não me sei lembrar...
Flores de tantas cores...
Penso e fico a chorar...
(Filha, os sonhos são dores...)

Qualquer dia viria
Qualquer coisa fazer
Toda aquela alegria
Mais alegria nascer
(Filha, o resto é morrer...)

Conta-me contos, ama...
Todos os contos são
Esse dia, e jardim e a dama
Que eu fui nessa solidão...

Fernando Pessoa

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A Primavera da Alma



Eis que chega a primavera, e com ela muita chuva..
que me lave então a alma,
por dentro e por fora..
para que possa voar livre de novo agora..
rumo ao sol, que aquece e brilha..
chega de tanto frio, chega de alma vazia..

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Então grita!!

que doce que nada..
é ardido..
quente como pimenta...
esse ardor que queima em paixão
às vezes parece um soco na boca do estômago..
pimenta fresca em carne viva..
quem mandou ser humana?
achou que a honestidade a libertaria...
agora sofre..
pimenta nos olhos dos outros é refresco..
ditado idiota
agora cai como uma luva.
Queria ter um estômago de avestruz
pra aguentar a mudez dos que tem medo.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Thanateros

Sigo meu desejo de te matar?
Mas te amo demais pra te deixar...
Me ajude a te manter vivo aqui dentro..
O fogo é forte mas a noite é úmida e fria...
Ajude..
pois o desespero de te perder também se apaga a cada dia.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Y.

percebi, é medo...
dancei loucamente por você...
e principalmente por mim..
dancei contigo no universo negro que é o inconsciente...
hoje entendi isso..
não te conheço.. sei muito sobre você e nada ainda...
hoje compreendi que nos amamos no escuro..
nos confins mais escuros de nossos medos..
você não poderia entender..
ainda não consegue enxergar nesse lado do mundo..
porque tens visitado minha casa.. mas enquanto dormes..
tens deitado em minha cama, enquanto durmo...
tens beijado muito meus lábios de olhos abertos, mas no escuro..
eu te guio pelos cantos..
conversamos tomando um café feito por meu desejo..
nos encontramos em carne, alma e coração.. e tudo na mente..
nós dois, juntos...
mergulhados no mais profundo do inconsciente.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Nada...

Parecia tão importante..
Onde foi que erramos?
Acho que saturamos..
cansamos nossa beleza..
a beleza do nosso amor..
e ia sendo bom..
até morrer.
agora não me chame mais de amor,
não posso ouvir
tenho os ouvidos surdos, incrédulos..
Algo se quebrou..
como se nada disso tivesse existido..
Não houve amor, encontro, paixão, tesão..
cadê tudo? puff!! sumiu...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Estranhamenteestranha

Fujo da conversa bêbada naquela língua estranha.
Vou pro telhado olhar as estrelas.
Me importo ainda um tanto com a humanidade.
Quanto mais me abro pra vida mais sinto por ela amor desmedido.
Ontem conversei bêbada numa língua estranha.
Você sorria e olhava as estrelas.
Me olhava e sorriam as estrelas.
E eu, estranha, bêbada, estrelas via.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

deep blue

hoje te vi de novo..
você estava nu, sob uma noite estrelada e calma,
num barco frio e morno, num mar azul, profundo...
hoje te vi, nu de estrelas..
num barco calmo e mudo, num mar azul e turvo,
numa noite negra, sem luar..
hoje você estava nu, sem lua, totalmente vestido de mar..
tua beleza cálida como as ondas movia...
teu sorriso quieto como o vento soprava..
brisa quente, meu rosto beijava...
meu sonho quieto também, terminava...
na manhã vazia que essa noite abortava.

...

mudei de idéia quando te vi...
quebrei o sigilo tolo quando você me machucou de novo..
seu veneno é doce..
entra devagar..
doce.. gostoso de tomar...
se dorme e morre lento.. devagar devagar..
num deleite.. seu perfume adoça o ar..
a entrega é fatal e inegável..
e doce se morre de amor.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O Universo


Esta é a última carta dos Arcanos Maiores. Ela fecha o círculo que se inicia com O Louco. A grande tarefa foi levada a seu termo, e retorna à inocência e engenhosidade do Louco. A gota desaparece no oceano, e o oceano derrama-se na gota. Esta conclusão é, ao mesmo tempo, um novo inicio num nivel mais elevado do ser. A meta final foi atingida - o retorno a Unidade cósmica original.
Agora você vê a si mesmo e ao mundo como realmente são. Todos os atavios e máscaras tornaram-se supérfluos e inúteis porque você está em conformidade com sua natureza original. Os limites do seu pequeno "EU" dissolvem-se em união orgásmica com o universo.
A mulher nua dança a dança da libertação. Através do olho de Hórus ela penetrou a natureza das limitações. Com essa percepção (simbolizada pela foice que segura na mão direita), ela rompe a trama que a aprisiona. Até a gigantesca serpente da transformação perdeu sua função. A energia foi transformada e uma nova qualidade existe. A serpente sobreviveu à sua utilidade; já não resta nada que a sua mordida venenosa possa destruir.
Os quatro querubins sopram o espirito que tudo penetra em todas as quatro direções. " Vê, tudo é novo!"

(in Tarô, Espelho da Alma, Gerd Ziegler)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

o oco dos dias...

Todo dia busco poesia..
Às vezes ela simplesmente não me chega... ou melhor, não me chega em palavras..
Mas todo dia busco vivê-la.. essa é a melhor parte.

Hoje é desses dias.. dessas noites vazias.. cheias de um nada... que me arrebate.
Busco nela poesia, busco na noite a veia lúdica, a veia lírica...
Às vezes me sinto forçando uma barra, tentando arrancar de mim algum encanto, numa palavra, numa canção, num suspiro mais profundo.
Às vezes não funciona... na maioria das vezes não me basta, mas deixo ser este pouco, sempre melhor que nada...

Tenho percebido o quanto digo muito e não digo nada... de profunda que sou, vazia... não, só tímida, não, só protegida, não, só fugidia mesmo... é isso, escapo, escapo pelas culatras da vida, pelos cantos improváveis, pelos futuros, pelos passados, tenho escapado bastante de mim mesma... minha veia poética tem me gritado horrores... o poeta que habita em minha alma tem forçado essa barra... e mesmo tão escondida em minhas palavras “vazias”, ele está lá, nas entrelinhas... nas meias palavras...
Sou pra bom entendedor, então... e mesmo assim não me basta.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

passion

quente..
nas mãos
quente..
tesão
quente..
meu coração
com o seu
é quente.

nhalou

loucura.....
dentro......
de mimmmmmm
nha lou
curaaaaaaa.........
´´e dentrode mimmmm
nha lou
curra..
dentro de mim.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Dríade

tudo em mim pulsa...
naquela árvore, logo ali do lado..
logo acima abaixo de mim..
agora pulso toda, essa árvore
me subo, me abraço me torço, me descasco..
me dou me broto, me faço balanço
me floresço..
me tenho em partes, me espalho em folhas em galhos
me sustento em tronco..
sou inteira
sugo da terra vida...
troco.
espalho pro céu em dobro, respiro.
suspiro..
ahhh...

sábado, 23 de maio de 2009

liberdade

Ai quem me dera ter asas a voar, dessas dos pássaros, voar sem avião, voar para qualquer lugar, livre, sem passaporte, ai quem me dera.

domingo, 5 de abril de 2009

cansaço...

Hoje acordei um pouquinho..
Dentro de você estava tudo o que eu queria
E você, cadê que não vinha..
Puxei da memória um instante de nós
Cadê que não vinha..
Parecia de mentira
Parecia que nunca tinha existido
E eu, cadê eu nessa hora...
Parecia de memória, puxei pela mentira
E eu, cadê que não vinha..
Dormi?


Por trás das cortinas insones de trabalhos noturnos
vi 10 gatos negros encolherem em canções infantis.

Medo não, apenas mistério...
Loucura, pode ser.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Da saudade...

*

Da saudade no peito só restou um feixe
que explode em silêncio,
que ecoa livremente.
Tocado é dor.
Se dor, é amor?

Se me calo escondo tudo que vem de mim
Tudo de mim pra você
Tudo de você pra mim

No teu rosto escolho um som
Deste som não há porque querer e sempre se sabe
Que na verdade a música dança sozinha.

É minha musa tua menina
Teus olhos me dizem coisas bonitas
Tua menina dos olhos me diz
Que eu menina sempre fui
Que teus olhos sempre quis
Tua menina dos olhos eu vi
Tua menina, teus olhos, eu quis

***

(2003, in Mensagens Inconscientes)

Como num sonho...

*

Como num sonho
Repleto de música e poesia
Faunos e ninfas
Um Sol brilhante por entre as árvores
Um desejo incontrolável de voltar
A sentir na pele todas as coisas boas
Por direito minhas
Danço cada vez mais
Giro num pouso de altas nuvens
Colho dos céus
Ar puro
Sinto próxima a chegada dos anjos
Vou ao futuro
Transo no escuro
Danço o presente
Corpo e mente
A alma se lança num chão de estrelas
Ao poço das memórias
Das crianças perdidas
Que dançam a fé
E correm sem medo
Para elas não existe passado
Não se lembram porque esqueceram o futuro
Só vivem o presente
Mas não dormem no escuro.

***

(2003, in Mensagens Inconscientes)

domingo, 8 de março de 2009

mulher! nessa palavra já cheia de desejo...

mulher.. dentro de mim essa mulher...
queima e deseja o amor..
mais carnal e puro
o amor...
na carne
meu teu sabor.

Na carne crua, nua, suada...
no amor suado, rasgado, inteiro.
minha boca, despudor..
no meu corpo, na minha cara!

Um
Todo.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Noturna


caminho com a noite...
embalada por doces e nobres sonhos...
antigos... sonoros... plásticos... reais.
estou a dormir com anjos e com demônios...
minha vida me embala em doces e tolos sonhos.
grito.
suspiro.
gozo.
na casa dos sonhos,
caminho, noturna.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

*

Vi alguma coisa do outro lado do muro...
O que era então?
Não vi não, era sonho...
Não vi não...
Tinha o muro... tinha o sonho...
E tinha o outro lado.

***

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Lua Negra

Entrei pelo espelho, no fundo, no fundo...
Caí, de joelhos, castigada pelos deuses sem pudor que habitavam em mim...
Se punem e culpam sem parar de pecar...
Gozam nas paixões proibidas...
E Lilith, serpente enfeitiçada pelo desejo selvagem e hostil, rebelde e vil...
É Lilith que habita agora em mim.
É ela quem grita, esbraveja, corta sem dó.
É despudorada, pela vida que nela habita.
É estrela, é livre...
É Lilith agora em mim.

HaHaHa! Só rindo mesmo...

Engraçado meu novo caminho...
aí está tudo que sempre sonhei... desde infância... e agora?
O que quero eu?
Que puta merda de coração sagitariano ansioso!!
Cá estou eu de novo...
Do lado de cá, de olho no de lá...
Do lado de lá, de olho no de cá.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Vésper

Agora deu no que deu
De repente os olhos teus
Me cercavam pelo ar
De um lindo dia
Manhã vazia
Qualquer manhã

Delírio apenas
Eu sei que Atenas
Não vai chegar

Manhã pequena
Noite pequena
Tempo a passar

E a madrugada
Que é coisa rara
Me faz sonhar
Que um belo dia
Nos olhos teus
Ei de alcançar

Aquele sonho
Aquele dia
Outro lugar.

***

(o primeiro poema que fiz na vida, 2002, ao acordar... havia lido Drummond no dia anterior, acordei com o sol... e versos brotando em minha cabeça, sem parar... então corri, peguei caneta e papel, daí então não mais quis parar... me apaixonei pela poesia.)

Enigma

*

Se paro, o mundo gira ao meu redor
e não sei mais para que lado caminhar,
pois parece não mais fazer diferença.
Pobres crianças doces e suaves, com seus chifres contundidos
por bater nas paredes de meus sentidos.
Chacoalho e me vejo diante de setas em qualquer direção.
Não parece diferença fazer se não mais posso viver
como aqueles que sentem a cor da carne
e o sabor de dias e dias ensolarados.
A luz me incomoda em dias nublados.
Não enxergo um palmo aqui a meu lado.
E da certeza que um dia soube nunca ter tido,
resta a certeza de jamais poder ter percebido
quão grandes eram as esfinges de toda minha vida.
Se criança me faço em cada cruzada,
cada segredo que descubro se faz como mais um
estardalhaço deixado para trás pela criança perdida.
E se creio crescer diante dos monstros do medo,
Cronos me assusta dizendo que o tempo passa para todos.

***

(in 'Mensagens Inconscientes, 2002)

Coração de Fogo

*

No momento, entre correntes de concreto
me permito absorto, ser abstrato
do modo mais barato
que me é dado ser.

Ser criador ou criatura
entre os móveis da amargura
já que assim me faço ver.

Crer no que brotou de mim.
Como se fossem agulhas perdidas
na corrente sanguínea,
a me cutucar vez ou outra
me lembrando que também tenho um coração,
que bombeia esse sangue que circula em minhas veias
para que me faça fogo então.

Ardente tenho a alma
que, comparsa dessa chama que pulsa sem cessar,
prolifera ares de que tudo pode
e grita em meus ouvidos todos seus dotes.
Me inquerindo corações sempre a saciar.

***

(in Mensagens Inconscientes, 2002)

22

Silva e Brites
selva e pedra...
Adriânica...
sol... céu... mar...
gôsto de beijo na boca...
gar galhar.

Lírio perdido no tempo...
flores deitadas em minh'alma ...
espinho, dores...
sangue em cores...
no corpo desenhado, minhas marcas.

Som, som, som...
na tontura,
no labirinto ainda me acho...
me encontro...
mais abaixo, mais abaixo.

Céu e inferno...
calor pra saber que sou vivo... vivo... vivo...

no inferno e céu de mim.

armadilha...
fantasia...
carne humana me sacia todo dia...
todo dia.

Giro leve...
giro e giro.

chego...
acordo.
sinto o mundo...
existo, não vivo só...
mas só existo e vivo em mim...

Eu sou o Louco que salta o abismo...
e sorri.

(de 27/09/2007)