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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

efêmero

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Voando alto nos pés de mercúrio
sem sentir a que veio, é o que me faz acreditar
que aquilo era um sonho.
Repousam nos pés, no sangue corrente.
Dormentes todos os sentidos
para que ele então apareça.
Por trás das cortinas.
Me calo por sua presença
tão imponente quanto ausente.
Ainda não te vejo atravessar as brumas
de minhas idéias limitadoras.
Ainda não sei a que veio.
Ainda me calo na tua ausência.

Saltando das cavernas inconscientes
no murmúrio dos índios xamãs,
que sussurram sem parar essa música esvoaçante.
Onipresente em todos os instantes.
Redundante.

Aquele silêncio me puxa para o canto.
Não cessa de repetir as frases mordazes.
E os xamãs, enigmas, esfinges
camuflam nas árvores de minhas hipotéticas faltas
todas as cores que crio sem saber.
Todos os tons que nem ao menos posso ver.
Pois não me foi dado merecer
sair de minha carcaça subatômica,
e sorrir camaleões em vestes de torpedos.

Girando em rotatória pelo espaço sideral de meus medos
me calam esses Pãs, todos seus anseios.
Rupturas selvagens das trevas dos desejos.
Sabido e temido. Como sempre acaba por ser.
Temido e esquecido. Como aquele que deve morrer.

Não há força que console
Toda a efemeridade humana.

***

(Drix Brites in 'Mensagens Inconscientes', 2002)

Um comentário:

  1. Adorei... parece que seu desejo aos poucos conjura uma nova vida para você.

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